Irrigação por Aspersão: O que é, Tipos e Como Funciona

Irrigação por aspersão
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Sem sombra de dúvidas, o processo de irrigação é uma das técnicas mais importantes na agricultura.

Afinal, junto com a terra bem preparada e a luz solar, a água completa o tripé de desenvolvimento das culturas.

A irrigação é um processo tão importante que, não por menos, existem quatro métodos de utilização:

  1. Superficial;
  2. Localizada;
  3. Subsuperficial;
  4. Aspersão.

Nesse artigo, trataremos especificamente sobre a irrigação por aspersão, um dos métodos mais utilizados no mundo.

Tem dúvidas sobre o assunto ou quer saber como potencializar a utilização deste método?

Nesse artigo apresentaremos tudo o que você precisa saber sobre irrigação por aspersão, boa leitura!

O que é irrigação por aspersão?

O método de irrigação por aspersão tem por finalidade a simulação da chuva sobre as plantações.

Nela, um jato de água sai do aspersor, que fica em movimento, cobrindo a área desejada e realizando o trabalho mecânico de simular a chuva. 

Ele expele a água no ar que, sob forma de gotículas, repousam sobre as folhagens e o solo da lavoura.

Esse é o método de irrigação mais utilizado no mundo, e isso muito se deve pela sua versatilidade de utilização, sendo adaptável a qualquer tipo e geografia de solo.

Apesar disso, cada plantação e cultivo tem suas peculiaridades e necessidades. Portanto, a escolha do método de irrigação deve levar em consideração essas variáveis.

Porém, de forma geral, a irrigação por aspersão é uma das mais efetivas.

Como funciona o sistema de irrigação por aspersão?

Antes de avançarmos, primeiro precisamos esclarecer a diferença entre método e sistema de irrigação.

O método, como vimos, é a maneira como é realizada a irrigação. Já o sistema diz respeito a todo o conjunto de equipamentos e peças para a realização dessa atividade.

No caso do método de aspersão, o sistema precisa levar em consideração 3 fatores

  1. Bombeamento;
  2. Transporte;
  3. Distribuição da água.

1. Bombeamento

No bombeamento, a água precisa ser captada (geralmente de um lago ou tanque) e impulsionada até os aspersores, localizados no local de irrigação.

Para isso, é preciso a utilização de um conjunto de motobomba, composto por uma bomba centrífuga e um motor acionador.

Para acionar esse conjunto, será preciso alguma fonte de energia, podendo ser elétrica, tratorizada ou por motores de combustão à diesel.

O bombeamento é o coração de todo esse sistema, a base para que o processo de irrigação por aspersão ocorra.

Por isso, escolher bem esse conjunto de motobomba é essencial para que não haja uma sobrecarga, ou então, pouca pressão para a realização da irrigação.

2. Transporte

Quando falamos de transporte, logo supomos que se trata do caminho percorrido do bombeamento até a aspersão.

Para esse processo acontecer são precisos tubos, que podem ser feitos tanto de materiais metálicos, como alumínio e ferro fundido, como também de plástico, como polietileno e PVC.

A escolha do tipo de material das tubulações dependerá muito da função exercida dentro do sistema. Ele pode ser de maior ou menor resistência, levando em consideração fatores como pressão e exposição às intempéries climáticas.

Essas escolhas também impactam no bolso, logo que torna o trajeto economicamente mais viável.

3. Distribuição

Por fim, a distribuição. Essa é, em suma, a aspersão em si. 

É nessa etapa que entra efetivamente a utilização dos aspersores, dispositivos que dão o nome a esse método.

Os aspersores cumprem o papel de dispersar água no ar que, com a ajuda da pressão atmosférica, formam gotículas que repousam sobre as plantações e o solo.

Essa atividade, porém, pode acontecer de diversas formas. 

Por isso, há diversos tipos de aspersores no mercado que cumprem funções distintas, conforme o objetivo da irrigação para cada produtor rural.

Veja alguns aspectos a serem levados em consideração na hora de escolher um aspersor:

  • Tipo de movimentação;
  • Alcance do jato;
  • Pressão de serviço;
  • Tamanho das gotas.

Os 2 tipos de irrigação por aspersão

Embora cumpram papéis muito semelhantes, dentro do método de irrigação por aspersão há duas formas de aplicá-las: o convencional e o mecanizado.

1. Sistema de irrigação convencional

Sistema de irrigação por aspersão convencional

É o sistema mais básico e manual da irrigação por aspersão.

Ele consiste basicamente na troca de aspersores e local de aspersão de forma manual.

Ou seja, após o aspersor realizar o seu trabalho de rega, o produtor agrícola vai até o local, mesmo com o ambiente molhado, e move o equipamento para um outro espaço desejado.

Nessa prática, são necessários:

  • Sistema de captação;
  • Sistema de bombeamento;
  • Tubulação de recalque ou linha principal;
  • Ramal ou linha lateral;
  • Aspersores.

Mesmo podendo ser um sistema móvel, semi-fixo ou fixo, o modelo convencional é mais indicado para a aplicação em pequenas áreas de cultivo.

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2. Sistema de irrigação mecanizado

Sistema de irrigação por aspersão mecanizado

O sistema de irrigação mecanizado, por sua vez, é indicado para grandes áreas de cultivo.

Isso porque a adoção do sistema convencional não atenderia técnica e economicamente às necessidades desse porte de cultivo.

A ideia desse sistema é utilizar de rodas atreladas ao aspersor, ou conjunto de aspersores, que se movimentam por toda a área de cultivo.

Para isso, há duas formas de aplicação: linha lateral móvel e pivô central.

2.1 Linha Lateral Móvel

A movimentação é feita de forma perpendicular à fonte de água, de maneira sincronizada entre o movimento e a aplicação da água.

Em sua grande maioria, essa atividade mecânica é realizada por meio de motores elétricos instalados nas torres de sustentação.

2.2 Pivô Central

Nesse método, uma linha lateral que cobre parte da plantação e é suspensa por torres, se movimenta por rodas e movimentos circulares a partir de um ponto central, conhecido como pivô (daí o nome do método).

É deste ponto que são fornecidas energia e água para a atividade de aspersão. 

Conforme este ponto se movimenta, o sistema cobre toda a área alcançável de ser irrigada.

12 parâmetros para analisar o tipo de irrigação por aspersão 

Mas, afinal, como saber se a irrigação por aspersão utilizada é adequada ao seu plantio?

Para facilitar essa tomada de decisão, o SENAR preparou um manual com 12 parâmetros a serem considerados no momento de escolha.

Eles levam em consideração a forma de funcionamento da irrigação por aspersão, separados em água, solo, cultura e topografia.

Critérios relacionados à água

1. Tipo de bocal

Em geral, bocais com menores diâmetros tendem a entupir. Por isso, caso deseje utilizá-los, é importante adotar um filtro.

2. Qualidade da água

Locais de captação da água com grande concentração de sedimentos tendem a corroer os bocais gradativamente.

3. Captação da água

Ainda na linha de qualidade da água, no caso de haver muita sedimentação, é indicado que a água passe por uma purificação, sendo posta em um reservatório antes da utilização.

 4. Tipo de cultivo

Em casos de cultivos aos quais possam ser consumidos cru, a qualidade da água precisa ser superior para garantir a qualidade de desenvolvimento destes alimentos.

Critérios relacionados ao solo

5. Absorção da água no solo

É preciso respeitar o processo de absorção da água pelo solo. Caso a irrigação se sobreponha a esse processo, tende a causar escoamento e erosão.

6. Não absorção da água no solo

Em casos aos quais a água não é absorvida pelo solo, são indicadas práticas como a palhada e o plantio direto.

Critérios relacionados à cultura

7. Indicação por tipo de cultura

A aspersão é indicada principalmente para cultivos que cobrem toda a área de superfície do solo após o crescimento total.

8. Altura das plantas

A altura das plantas precisa ser levada em consideração na hora de escolha da irrigação por aspersão, visto que os sistemas também têm limitação de altura para o seu correto funcionamento.

9. Contraindicações

Há certos tipos de culturas onde não é recomendada a irrigação por aspersão.

Isso porque esse tipo de método ajuda no desenvolvimento de doenças específicas nas plantas, como é o caso do tomate e do pimentão.

10. Raízes e solos arenosos

No caso do cultivo de raízes e solos arenosos, também não é recomendada a aspersão pela baixa efetividade sob esses elementos.

Critérios relacionados à topografia e investimento

11. Declives

Apesar da boa adaptação a diversos tipos de topografia, a área de irrigação deve ter, no máximo, um declive de 30%. Acima disso, não é recomendado esse método de irrigação.

12. Investimento

O investimento irá variar de acordo com a dimensão da área irrigada.

Os modelos convencionais costumam custar mais que os modelos mecanizados, visto que modelos móveis não demandam reformas locais para sua aplicação e, por isso, pode ser considerado como um investimento a longo prazo.

10 vantagens e desvantagens da irrigação por aspersão

Mas, afinal, a irrigação por aspersão vale mesmo a pena?

A seguir, apresentamos prós e contras deste método:

Vantagens

  1. Adaptação à topografia;
  2. Total cobertura da plantação;
  3. Total controle volumétrico da água utilizada;
  4. Estrutura diversa e adaptável;
  5. Adaptável às necessidades de diversos tipos de cultura;

Desvantagens

  1. Custos com energia;
  2. Custos com tratamento da água;
  3. Excesso de umidade que pode causar propensão de doenças;
  4. Pouco efetivo em locais com temperaturas altas ou excesso de vento;
  5. Contraindicado a produtores de raízes.

Qual a diferença da irrigação por aspersão da irrigação por gotejamento?

Há uma comum confusão popular sobre a diferença entre a irrigação por aspersão e por gotejamento, embora sejam métodos distintos.

Aspersão

Como vimos ao longo do artigo, o método por aspersão se dá por meio de dispositivos chamados aspersores que simulam uma chuva. Eles espalham gotículas de água no ar que repousam sobre as plantações e sobre o solo, realizando, assim, a irrigação.

Gotejamento

Por outro lado, no sistema de gotejamento, com a ajuda do impulsionamento de uma bomba, a água é levada por meio de tubos para a área a ser irrigada.

Desses tubos, há pequenas perfurações pelas quais a água sai e que se encaixam nas raízes das plantas, deixando a terra sempre úmida.

Um método convencional e eficaz

É por isso que a irrigação por aspersão é tão utilizada mundo afora.

Se apropriar do seu funcionamento e potencialidades garante ainda mais plantios saudáveis e alimentos vigorosos, o que resulta também em melhor lucratividade.

Ela também pode ser aliada à agricultura digital, para otimizar processos, reduzir custos e aumentar a produtividade.

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