9 técnicas para melhorar o solo e aumentar os lucros

técnicas para melhorar o solo
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Um solo bem nutrido e rico em vida potencializa todo tipo de plantação, gerando resultados e frutos em maior quantidade e qualidade.

Mas, o que fazer para melhorar o solo e manter sua manutenção em dia?

Neste artigo, confira informações importantes que você precisa saber sobre técnicas para melhorar o solo, além de dicas úteis sobre o que fazer quando o solo estiver seco.

Acompanhe com a gente.

Por que cuidar do solo?

Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), publicado em 2015, 33% dos solos do mundo já estavam degradados.

Erosão, salinização, compactação, acidificação e contaminação do solo estão entre os principais problemas apresentados, revela o relatório.

A maioria destes impactos se dão pela atividade agrícola agressiva, grandes períodos de secas e pelo esgotamento da terra em razão da pressão populacional pelo consumo de alimentos.

Mas, o que isso tem a ver com o produtor rural?

Absolutamente tudo.

Se analisarmos os números desses impactos ambientais, de acordo com o mesmo relatório, só a perda com cereais é estimada em 7,6 milhões de toneladas por ano e, se nada for feito até 2050, essa perda poderá chegar ao patamar de 253 milhões de toneladas.

E quando pensamos nos produtos não apenas como consumo e alimentação, e os encaramos como mercadoria, isso tem um peso enorme e direto tanto no PIB dos países, como no lucro e rentabilidade de pequenos, médios e grandes produtores.

Ou seja, para além da importância ecológica e ambiental, o cuidado do solo também é imprescindível para tornar rentável a atividade agrícola.

9 técnicas para melhorar o solo

Pensando em como melhorar o solo?

A seguir, separamos 9 técnicas muito usuais e indicadas que ajudam diretamente nessa questão. Confira:

1. Análise do solo

O primeiro passo para melhorar o solo é entendê-lo, identificando suas composições e características (mais arenoso, mais argiloso…), pois só a partir desta análise é possível traçar ações que complementarão suas necessidades, tornando-o nutricionalmente mais rico e fértil

Para cada momento e necessidade de entendimento do solo, há um tipo de análise diferente, sendo elas:

Análise química completa

Essa técnica é destinada à verificação da presença de macro e micronutrientes no solo.

Ela é muito utilizada em terras que acabaram de ser adquiridas e que não existe muitas informações sobre o solo, em mudanças repentinas no sistema produtivo ou quando a safra anterior apresentou problemas nutricionais.

Também é indicada em problemas de produtividade em áreas delimitadas de uma plantação, algo muito fácil de ser identificado com o uso de drones no monitoramento das plantações.

Veja também: Agricultura de precisão: O que é, vantagens e equipamentos (2022)

Análise química básica

Essa análise é aquela rotineira, indicada de ser feita ao menos uma vez ao ano para entender até que ponto o manejo da terra na agricultura está influenciando direta ou indiretamente na nutrição do solo.

Essa técnica permite a manutenção da terra e um menor desperdício de insumos, aplicando apenas a quantidade necessária para suprir suas carências.

Análise Física

A análise física permite uma melhor compreensão da composição do solo, se percentualmente é mais argiloso ou mais arenoso.

Essa percepção possibilita uma melhor escolha de defensivos agrícolas com maior adesão a cada tipo de solo, extraindo sempre mais eficiência possível do produto.

Após entender qual o tipo de análise que melhor se encaixa às necessidades do produtor, é necessário realizar a coleta de uma pequena amostragem do solo para ser analisada.

Para saber como realizar a coleta da porção, a Embrapa preparou um guia completo mostrando o passo a passo. Vale conferir.

É importante salientar que a amostra precisa ser enviada a um laboratório especializado que fará todo o processo de checagem, apresentando os resultados dos materiais analisados.

O que é importante aqui é entender que ter o conhecimento do solo torna o trabalho mais assertivo, com escolha de produtos e adubagens certas para cada característica de terreno.

2. Planejamento de fertilizantes

Outra técnica para melhorar o solo é apostar e planejar o uso de fertilizantes.

Essa, porém, é uma técnica que precisa da combinação de dois fatores: solo e tipo de plantação.

Após a análise da composição nutricional que apresentamos no tópico anterior, é preciso analisar quais as deficiências nutritivas que o mesmo apresenta para entender quais os tipos de composições que o fertilizante utilizado precisa ter para supri-las.

Por outro lado, cada tipo de plantação precisa de um tipo de cuidado diferente em relação aos micro e macronutrientes, que podem ser supridos pela utilização de fertilizantes inorgânicos (indicado para milho, soja e algodão, por exemplo) ou orgânicos, como esterco, farinha de ossos, húmus de minhoca e torta de mamona.

Assim, também é necessário levar em consideração essas variáveis no momento de escolha do fertilizante ideal, que atenderá totalmente às necessidades do solo e da plantação.

3. Adubação do solo

Tendo as informações sobre o solo em mãos, extraídas das análises, além de realizada a escolha da composição e tipo de fertilizante, chegou o momento de efetivamente colocar a mão na massa (ou, no caso, na terra).

Entende-se por adubação a atividade de aplicação do fertilizante às plantações, seja por meio de pulverizadores, no caso da adubação foliar, seja diretamente ao solo.

Esse processo permite à planta e ao solo uma absorção dos nutrientes que lhes faltam para um longo período.

A adubação pode ser tanto orgânica, por meio da compostagem (derivados de resíduos animais e vegetais) que se decompõem no solo e fornecem os nutrientes de suas composições, ou então inorgânica, composta por soluções de extração mineral.

As duas apresentam vantagens e desvantagens.

Na orgânica, o controle sobre a composição nutricional que será aplicada à terra é muito menor, logo que os compostos são muito variáveis.

Por outro lado, o adubo inorgânico apesar de apresentar quantidade e tipos de nutrientes precisos, se a dosagem for grande, a oxigenação das plantas é diminuída, como também seu consequente crescimento.

4. Adubação Verde

Outra técnica de nutrição do solo é aplicar a técnica conhecida como “adubação verde”, na qual consiste na plantação de leguminosos como tremoço, feijão-de-corda e leucena.

Em solos pobres, a atividade de crescimento e desenvolvimento deste tipo de planta favorece a terra no aumento do nível de nitrogênio, como também potencializa a produção de húmus para o solo.

5. Irrigação

Em locais aos quais a evaporação é muito grande, aplicar técnicas de irrigação, além de contribuir para a preservação da água por mais tempo nas plantações, também evita a salinização do solo.

6. Minhocultura

Entre as técnicas para melhorar o solo, não podemos deixar de mencionar a minhocultura.

A técnica consiste na utilização de minhocas no solo, além de insetos inofensivos à plantação.

A atividade destes seres vivos contribui tanto para a adubação da terra, como para a criação de túneis que possibilitam a passagem do ar no interior do solo, algo muito benéfico à saudabilidade da terra.

catálogo equipacenter 2023

7. Utilização de máquinas agrícolas específicas

Assim como na análise de solo, que apresentamos no primeiro item, também é importante verificar qual o tipo de máquina mais indicada para o solo ao qual será trabalhado.

Máquinas muito pesadas, por exemplo, podem contribuir para a compactação do solo, diminuindo a porosidade da terra e sua consequente absorção da água.

Usando máquinas adequadas, a produtividade do solo é preservada.

8. Contenção de erosão

A erosão do solo consiste no deslocamento de terra, abrindo pequenas ou grandes crateras.

Apesar de também ser uma ação natural, causada por ventos, água da chuva e ação do sol, quando se trata de agricultura, a erosão do solo causa grandes prejuízos, impossibilitando o cultivo de plantas.

Para isso, técnicas de plantio, como o terraceamento e a curvas de níveis, são alternativas de contenção da erosão.

Além disso, cobrir o terreno com vegetação evita as influências destes agentes naturais sobre o solo.

9. Rotação de cultura e afolhamento

Essas técnicas consistem, basicamente, em separar os espaços de plantio e fazer o revezamento de uso.

Ou seja, enquanto um espaço de terra está sendo utilizado para a plantação, o outro pode descansar.

Desta forma, evita-se o esgotamento do solo, respeitando também os seus ciclos naturais.

5 vantagens de aplicar técnicas para melhorar o solo

como melhorar o solo

Mas, afinal, quais são as vantagens práticas da adoção de técnicas para melhorar o solo?

Abaixo, separamos algumas delas:

1. Mais produtividade

Solos bem nutridos fornecem às plantas condições ideais que suprem as deficiências nutritivas necessárias ao seu desenvolvimento.

Sendo assim, inevitavelmente a produtividade é aumentada, logo que os esforços são mais direcionados e assertivos.

2. Redução de custos

A partir da análise do solo e identificação das carências nutritivas, o produtor rural pode tomar decisões de forma mais direcionada, evitando retrabalho, uso desnecessário de insumos ineficientes, além de realizar ações mais eficazes.

3. Aumento da atividade biológica

Visto que o solo emana vida, sua preservação também garante que a vida presente nele permaneça, como a presença de agentes como minhocas, insetos, pequenos mamíferos, além de microorganismos vitais à saudabilidade do solo.

Tudo isso também resulta no aumento da presença de matéria orgânica, essencial a um solo de qualidade.

4. Menor necessidade de preparo do solo

Partindo do pressuposto de que a melhora do solo também tange sua periódica manutenção, o momento de preparação do mesmo para o plantio terá uma necessidade muito menor, ou até mesmo nula.

Assim, o tempo e o trabalho são reduzidos e otimizados, podendo ser aplicados a outras necessidades, aumentando também a produtividade.

5. Otimização do uso de insumos

Com um solo melhor preparado e saudável, as plantações crescem com maior qualidade e menor necessidade de reposição das deficiências nutritivas.

Dessa forma, reduz-se o uso de fertilizantes, como também de herbicidas, inseticidas e fungicidas.

Tudo isso impacta também diretamente na redução dos custos de manutenção da lavoura.

O que prejudica a qualidade do solo?

Como vimos brevemente, há várias formas de degradação do solo.

As mais comuns são a erosão, a salinização, compactação, acidificação e a perda da atividade biológica.

Esses prejuízos, em sua maioria, ocorrem pela má gestão do solo, em atividades que agridem a terra, levando à sua exaustão produtiva e vital.

A poluição ambiental também é outro fator que impacta diretamente na saudabilidade do solo. Essa poluição acontece de diversas formas, como:

  • Acúmulo da deposição de dejetos atmosféricos;
  • Aplicação de defensivos e fertilizantes de forma indevida e excessiva;
  • Utilização de fogo para limpeza de terreno;
  • Revolvimento constante e desnecessário da terra de plantio;
  • Presença de materiais sólidos industriais e urbanos;
  • Disposição de resíduos tóxicos e radioativos no solo.

Essas ações impactam diretamente em diversos processos necessários à saúde do solo, como a ciclagem de nutrientes, o ciclo da água, (que é filtrada pelo solo e chega aos lençóis freáticos), o fluxo de gases, a oxigenação do solo, entre outras.

E o que fazer para recuperar um solo degradado?

solo seco

É sempre importante dizer que a preservação e manutenção do solo é muito mais eficiente que a sua recuperação, logo que esse é um processo muito mais demandado e longo.

Porém, há casos nos quais o solo já foi tão degradado que para ser utilizado é preciso realizar ações de recuperação.

A primeira delas é a utilização de espécies florestais.

Muitas das áreas destinadas à plantação antes eram florestas e que, pela redução ou total retirada de suas plantas e árvores nativas, permanecem ao relento e ficam sujeitas à degradação do solo.

A replantação de espécies nativas contribui diretamente na cobertura da camada orgânica, possibilitando o retorno da fertilização ao solo.

Esse processo também é conhecido como integração lavoura/floresta.

Para isso, é importante a realização da limpeza e preparo do solo com a retirada de ervas daninhas e pedras, por exemplo.

Em seguida, a análise do solo é essencial para identificar a presença e quantidade de compostos químicos e físicos do solo, a fim de direcionar a aplicação de técnicas de compensação ideais para cada necessidade, como a calagem e a fosfatagem.

A adubação orgânica do solo também pode ajudar nesse sentido, logo que fornece à terra os nutrientes necessários e escassos à ela.

Outro ponto a ser destacado é que essas técnicas levam um certo tempo para mostrarem resultados, porém, de um ano para outro, o aumento na fertilidade e na produtividade já passam a ser percebidos, logo que o último passo também é a implantação de uma cultura vegetal no terreno.

O que prejudica a qualidade do solo?

Como vimos brevemente, há várias formas de degradação do solo.

As mais comuns são a erosão, a salinização, compactação, acidificação e a perda da atividade biológica.

Esses prejuízos, em sua maioria, ocorrem pela má gestão do solo, em atividades que agridem a terra, levando à sua exaustão produtiva e vital.

A poluição ambiental também é outro fator que impacta diretamente na saudabilidade do solo. Essa poluição acontece de diversas formas, como:

  • Acúmulo da deposição de dejetos atmosféricos;
  • Aplicação de defensivos e fertilizantes de forma indevida e excessiva;
  • Utilização de fogo para limpeza de terreno;
  • Revolvimento constante e desnecessário da terra de plantio;
  • Presença de materiais sólidos industriais e urbanos;
  • Disposição de resíduos tóxicos e radioativos no solo.

Essas ações impactam diretamente em diversos processos necessários à saúde do solo, como a ciclagem de nutrientes, o ciclo da água, (que é filtrada pelo solo e chega aos lençóis freáticos), o fluxo de gases, a oxigenação do solo, entre outras.

O cuidado é sempre a melhor solução

Afinal, o trabalhador do campo, mais que ninguém, sabe o quão suado é o processo agrícola.

Por isso, manter o solo em dia não apenas representa uma otimização do seu trabalho, mas também reflete em maior lucratividade e maior conscientização ambiental, extraindo da terra o melhor do que ela tem a oferecer, mas de maneira correta.

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