Empobrecimento do Solo: O que é, Principais Causas e Como Evitar

Empobrecimento do solo
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Aqui, no blog da Equipacenter, sempre falamos do tripé da agricultura: água, luz e solo.

Assim como todo tripé, esses três elementos são essenciais para sustentar a boa plantação, desenvolvimento e colheita de qualquer cultivo. 

Por isso, cada um necessita ser olhado com todo cuidado para extrair o melhor possível.

E pensando nas melhores dicas para você, homem do campo, hoje falaremos sobre o empobrecimento do solo, problema alarmante que carece de muita atenção.

Nesse artigo, apresentaremos o que é, quais as causas, consequências, bem como técnicas para evitar o empobrecimento do solo. 

Boa leitura!

O que é o empobrecimento do solo?

Empobrecimento do solo é todo tipo de degradação, relacionado a sua destruição.

Ou seja, todo processo de desnutrição e desequilíbrio, que o torne improdutivo, é um processo de empobrecimento do solo.

Esse desequilíbrio pode provir por questões físicas, químicas como também biológicas que, que tem como características:

  • Perda de estrutura;
  • Salificação;
  • Acidificação;
  • Permeabilidade;
  • Redução de matéria orgânica.

O empobrecimento do solo representa grandes prejuízos, não apenas para a agricultura, mas também a todo o ecossistema nativo.

Traz prejuízo também para toda a sociedade, como veremos mais à frente.

Por isso, preservar o solo é a melhor forma de evitar o seu empobrecimento.

Mas, afinal, quais são as causas deste empobrecimento?

É o que te mostraremos a seguir!

7 causas do empobrecimento do solo

O empobrecimento do solo está relacionado diretamente ao mau manuseio e à má preservação da terra.

Embora em alguns casos essa deterioração aconteça de forma natural, a intervenção humana pode acelerar o processo de degradação, tais como:

  • Queimadas;
  • Desmatamentos;
  • A própria agricultura, quando realizada de forma imprudente.

Embora o empobrecimento do solo seja algo abrangente, sua degradação pode acontecer de várias maneiras. 

Conheça as principais:

1. Erosão

Erosão

A erosão trata-se do desgaste da terra e das rochas por meio de fatores naturais como vento e chuva.

Quando ocorre a erosão, o terreno passa a ter mais irregularidades devido a alteração no relevo. Isso o faz perder nutrientes devido ao seu escoamento, levando à infertilidade da terra.

Embora possa, sim, acontecer de forma natural, a intervenção humana, por meio do desmatamento, intensifica e acelera qualquer processo de erosão do solo.

As plantas atuam como proteção do solo e de sua camada fertil e o seu arranque expõe todas essas áreas às ações do tempo, levando a deslizamentos de terra, em especial em morros e montanhas.

2. Lixiviação

lixiviação

A lixiviação pode ser considerada um tipo de erosão do solo.

Com a lavagem excessiva do solo por meio das chuvas, há um grande escoamento de sais minerais essenciais à sua fertilidade, como também ocorre a abertura de valas (também conhecidas como voçorocas) por onde passa essa corrente de água.

A lixiviação também é uma consequência do desmatamento, visto que a ausência de vegetação deixa o solo exposto a esse tipo de ação meteorológica.

3. Laterização

Laterização

Assim como a erosão pode levar à lixiviação, a lixiviação pode levar à laterização.

Isso ocorre quando a lixiviação está bastante avançada, com valas bem aprofundadas, o que ocasiona uma lavagem exaustiva.

Esse processo torna o solo bastante ácido e pouco permeável, dificultando a manutenção  da matéria orgânica devido ao pouco acesso à água e nutrientes.

É um processo mais comum de acontecer em áreas úmidas e quentes, de clima tropical.

E sendo consequência da lixiviação e da erosão, o desmatamento e as queimadas são os principais aceleradores desse processo na natureza.

4. Salinização

Salinização

Ao contrário da lixiviação, na salinização há uma intensa concentração de sais minerais no solo.

Em áreas tropicais áridas ou semiáridas, o volume de vaporização da água no solo é muito alto. 

Isso resulta em uma separação natural dos sais minerais e, com o tempo, seu aumento gradativo no solo.

Esse também é um processo natural que acontece nessas regiões, mas assim como a erosão, é intensificado com a ação humana.

Com a irrigação inadequada do solo, ao utilizar água com grande teor de sais, esse elemento permanece na terra depois do processo de evaporação, aumentando a salinização do solo.

5. Compactação do Solo

Compactação do solo

Como o próprio nome sugere, a compactação do solo ocorre quando o mesmo deixa de ser poroso, aumentando a sua densidade.

Assim, passam a ser impermeáveis, tornando-o infértil devido a não absorção de água e nutrientes.

Isso o torna impróprio para o plantio devido às alterações físicas, químicas e biológicas pelas quais passa.

A compactação do solo ocorre principalmente pelo uso intenso de máquinas agrícolas pesadas, pisoteio do gado, como também manuseio do solo em condições de umidade impróprias.

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6. Desertificação

Desertificação

A desertificação é o processo de total esterilização do solo.

Ela ocorre em regiões com baixos índices anuais de chuva. 

Nessas localidades, a evaporação da água no solo é mais rápida e intensa que as chuvas e, assim, o solo fica desprovido de qualquer nutriente, tornando-a infértil.

As ações humanas de desmatamento, queimada e uso abusivo do solo em atividades agrícolas e de mineração são aceleradores deste processo, mesmo a desertificação sendo característica de regiões específicas do país.

7. Acidificação

Acidificação

A acidificação do solo trata-se da diminuição do pH do solo, aumento do alumínio tóxico e diminuição da saturação por base.

Esse conjunto de fatores são prejudiciais à vida dos microrganismos, como também inviabilizam o crescimento de qualquer tipo de vegetação.

Consequências socioambientais do empobrecimento do solo

Quando falamos de empobrecimento do solo, isso tem um efeito direto na agricultura.

Isso porque fatores como umidade, nutrição do solo e equilíbrio do pH são essenciais para o cultivo de qualquer cultura.

Inevitavelmente, a má absorção da água, irregularidades no solo e alta concentração de sais minerais impedem o bom desenvolvimento das plantações.

Porém, para além de consequências negativas na agricultura, a degradação do solo escancara alguns problemas ainda maiores que afetam todo o ecossistema natural, impactando, inclusive, as grandes cidades.

O empobrecimento do solo leva a uma menor infiltração da água na terra e consequente aumento do seu escoamento superficial. 

Com isso, condições meteorológicas comuns, como chuvas de verão, resultam em grandes problemas, como enchentes, deslizamentos e assoreamentos de rios, seja em matas, áreas rurais ou urbanas.

E como bem sabemos, essas consequências impactam diretamente em maiores riscos de vida aos seres humanos, como também à espécies de fauna e flora de todas as regiões atingidas.

Outro impacto importante a ser mencionado é o risco de contaminação dos recursos hídricos.

Com o aumento do escoamento da água, dejetos e produtos químicos, como agrotóxicos, fertilizantes e corretivos vão parar em rios e represas. 

Isso prejudica a vida local, como também coloca em risco a saúde dos seres humanos.

E, claro, com o empobrecimento do solo, a inviabilidade de plantação é enorme. 

Isso representa um impacto financeiro direto ao produtor agrícola, seja ele pequeno, médio ou grande, como também na sociedade como um todo devido à indisponibilidade de comida.

Como podemos ver, é um problema que afeta a todos. 

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), 33% da terra encontrada no planeta já é considerada infértil devido à sua degradação.

Apenas com ações conjuntas de governo e sociedade é que será possível reverter esse cenário e conquistar um desenvolvimento sustentável e econômico saudável.

5 técnicas para evitar o empobrecimento do solo

Mas, afinal, quais caminhos são possíveis de serem tomados para evitar o empobrecimento do solo?

A seguir, apresentaremos algumas técnicas de preservação do solo que você, produtor agrícola, pode e deve usar.

1. Plantar de forma correta

O plantio correto é a primeira e mais eficaz forma de realizar uma agricultura responsável, que evitará o empobrecimento do solo.

Para isso, alguns passos são essenciais, como:

  • Dar prioridade a insumos de qualidade;
  • Utilizar boas sementes;
  • Realizar o plantio na época correta;
  • Dispor de um bom sistema de irrigação

2. Manejo Apropriado

Porém, como bem sabemos, nenhuma plantação se desenvolve simplesmente colocando a semente na terra e esperando ela crescer.

Manejar de maneira adequada o solo e as plantações é essencial para manter o seus nutrientes e a sua capacidade de fertilização.

Sendo assim, utilize-se de adubação, e planeje-se em relação à manutenção de matéria orgânica, como também em relação à rotação de cultivos.

3. Analise o solo

Outra técnica importante para tornar um solo fértil é analisar a sua composição.

Dependendo da região de cultivo, será necessário um preparo da terra para o bom desenvolvimento das plantas, como a adição de calcário, fósforo, potássio e nitrogênio.

Em alguns casos, a técnica de calagem do solo pode ser extremamente eficiente para o equilíbrio do pH.

4. Adubação verde e reflorestamento

Toda área de cultivo em algum momento já foi área de mata nativa.

Por isso, plantar árvores ou plantas nativas de regiões de desmatamento é uma excelente técnica para recuperar solo degradado ou evitar sua degradação.

Outra técnica também muito utilizada é o cultivo de plantas que posteriormente vão se tornar adubo para aquele solo por meio da decomposição.

Tanto a adubação verde, como o reflorestamento, favorecem condições que contribuirão em:

  • Proteger os leitos dos rios;
  • Filtro de sedimentos;
  • Aumento da porosidade do solo;
  • Aumento significativo da taxa de nutrientes;
  • Diminuição do escoamento superficial;
  • Aumento do refúgio da fauna local.

5. Rotação de culturas

Como mencionamos há pouco, a rotação de culturas também é uma prática de manuseio e preservação do solo extremamente eficaz.

Ela propõe o rodízio de cultivos de diferentes espécies anualmente. 

Isso promove uma maior diversificação, reposição de matéria orgânica, controle de ervas daninhas além de proporcionar proteção contra agentes físicos de intemperismo.

Além dessas dicas, veja algumas técnicas para melhorar o solo!

Se preservar, não vai faltar!

Afinal, a agricultura também faz parte do meio ambiente e cuidar da natureza é a forma mais eficaz de garantir renda, abastecimento e alimentos para toda a população.
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