Calagem do Solo: O que é, Benefícios e Principais Métodos

Calagem do solo
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Como um bom agricultor, sem sombra de dúvidas, você já conhece o tripé básico de qualquer cultivo: luz, água e solo.

Esses são os elementos essenciais para o desenvolvimento de toda plantação que venha a ser cultivada.

Hoje, falaremos sobre o terceiro tripé, mais especificamente sobre a calagem do solo, técnica importante no preparo da área de cultivo para a diminuição da acidez da terra.

Quer entender como a calagem pode contribuir com a sua plantação, bem como esclarecer dúvidas como a escolha de corretivo e quantidade de calcário utilizado?

Então acompanhe conosco esse artigo especial que preparamos sobre o assunto.

O que é calagem do solo?

Calagem de solo é uma técnica de preparação do solo para o cultivo agrícola.

A ideia básica desta atividade é diminuir a acidez do solo por meio do aumento do seu pH, como também proporcionar magnésio e cálcio às plantas, elementos fundamentais para o desenvolvimento saudável do cultivo.

Essa é uma técnica usada no mundo todo, mas é essencial de ser adotada pelos produtores brasileiros, visto a alta taxa de acidez do solo nacional.

Essa correção de acidez é necessária para adequar o pH do solo, que deve ficar entre 5,5 a 6,5, faixa ideal para tornar os nutrientes absorvíveis às plantas.

Além disso, auxilia na neutralização do alumínio (elemento de alta taxa em solo brasileiro) e sua ação tóxica sobre as plantas.

Importância da calagem do solo

Em geral, o solo brasileiro possui uma quantidade significativa de alumínio, como também pode ter uma elevada concentração de acidez em sua composição.

Esses são dois elementos que prejudicam o desenvolvimento das culturas: 

  1. O alumínio, por ser tóxico às plantas;
  2. A acidez, por diminuir a possibilidade de absorção das plantas aos nutrientes necessários para o seu crescimento.

Dessa forma, a calagem vem suprir essas duas necessidades, aumentando o pH do solo e neutralizando o alumínio, o que torna a terra mais fértil e nutritiva para as plantas.

Essa técnica também auxilia na resistência à seca.

Vamos explicar.

Isso porque, com os resultados que apresentamos acima, ela traz alguns benefícios, como:

  • Torna o solo menos propenso à compactação;
  • Aumenta a mineração de matéria orgânica;
  • Estimula o desenvolvimento de vida microbiana.

As raízes também terão mais estímulos para o seu crescimento devido à presença de mais cálcio, o que representa um fomento ao sistema radicular, como também as permite explorar de forma mais ampla a água e os nutrientes.

E, é claro, quando olhamos para tantas vantagens como essas, o custo-benefício se torna enorme.

Isso porque, com um bom preparo de solo, evita-se problemas futuros e acarreta maior retorno financeiro para você, produtor agrícola.

3 principais métodos de calagem do solo

O fato de o Brasil possuir proporções continentais, faz-se necessária a adoção de métodos diferentes de calagem, adaptados às características distintas de cada lugar. 

Isso precisa ser levado em consideração mesmo que algumas características de solo sejam compartilhadas por todas as regiões do país.

Sendo assim, diversas pesquisas agronômicas apontaram 3 técnicas de calagem mais eficientes para cada região brasileira.

Confira a seguir:

1. Método do Índice SMP

Começando pelo sul do país, esse método é utilizado nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

A ideia básica deste método é a aplicação de uma quantidade de calcário suficiente para atingir níveis ideais de pH, com base no índice SMP.

Ou seja, é uma correlação entre a acidez do solo e o índice SMP (quanto menor for o índice de SMP, maior será a quantidade de acidez do solo).

2. Método do Alumínio Trocável

O método do alumínio trocável é utilizado nos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Nesse método, a calagem vem com o objetivo de neutralizar o teor de alumínio trocável do solo, como também de fornecer cálcio e magnésio quando esses teores estiverem abaixo do ideal.

3. Método de Saturação por Bases

A saturação por bases é destinada ao estado de São Paulo, como também ao Paraná e regiões do cerrado, a depender do caso.

Essa calagem é feita com base na relação entre o pH e a saturação por base (V%).

Sendo assim, quanto maior o pH, maior também será o V%.

O calcário, por tanto, ao cumprir o papel de elevar o V%, por consequência elevará também o nível de pH do solo, alcançando o nível de base desejado.

Passo a passo para fazer a calagem do solo de forma correta

Passo a passo para fazer a calagem do solo

Mas, afinal, como efetivamente realizar a calagem do solo?

Para essa técnica de preparação do solo ser efetiva e alcançar os resultados desejados, é necessário passar por algumas etapas importantes, as quais listamos a seguir:

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1. Amostragem do solo

Assim como qualquer método de melhoria de algum elemento, seja ele orgânico ou não, o primeiro passo é analisar qual é o seu estado atual.

Afinal, é com base nesta análise que será possível adotar medidas direcionadas ao resultado que se quer alcançar.

Essa coleta de amostragem, porém, deve ser orientada pelo laboratório ao qual realizará o trabalho de análise do solo.

Por tanto, entre em contato com o laboratório e siga precisamente o procedimento indicado e a quantidade necessária recomendada.

2. Envie ao laboratório

O segundo passo, embora bastante intuitivo, deve ser feito tomando a atenção de não apenas enviar o material coletado, mas também com todas as informações necessárias e solicitadas pelo laboratório, como data, local de coleta e afins.

3. Defina o tipo e a dose de calcário

A partir da devolutiva do laboratório, começa a etapa 3, que é definir qual o tipo e a dose de calcário a ser utilizado.

Essa etapa é importante pois existe a possibilidade de escolher uma um produto com mais ou menos magnésio na composição, podendo ser definido pelo poder relativo de neutralização total (PRNT).

Nessa relação, quanto maior o valor de PRNT, menor deve ser a quantidade de calcário aplicado. A seguir, separamos uma relação de cada tipo para ficar mais fácil a sua escolha:

  • Tipo A: PRNT de 45% a 60%.
  • Tipo B: PRNT de 60,1% a 75%.
  • Tipo C: PRNT de 75,1% a 90%.
  • Tipo D: PRNT acima de 90%.

O calcário também pode ser escolhido de acordo com a sua composição química, dentro dos teores de cálcio e óxido de magnésio, podendo ser classificado como calcítico, magnesiano ou dolomítico.

4. Compra do calcário

Após definir qual o tipo de calcário que será utilizado, é preciso pensar na sua aquisição, visto que dependendo da sua região, o valor de transporte pode ser bem significativo, inviabilizando o custo-benefício.

Por isso, pesquise bem quem será o seu fornecedor.

5. Aplicação do produto

A aplicação do calcário pode seguir dois métodos:

  1. Plantio direto, sendo a distribuição do produto sobre o solo, sem a sua eventual incorporação;
  2. Plantio convencional, sendo a distribuição do calcário, seguido da sua incorporação por meio da aração e da gradagem.

Opções de calcário para a realização da calagem

Além da técnica correta para a região de adoção da calagem do solo, há vários tipos de calcário a serem utilizados como opções para essa atividade.

Abaixo, separamos algumas delas:

Calcário

A composição do calcário, provindo de uma rocha sedimentar, é de carbonato de cálcio. Ou seja, é um neutralizador natural de acidez.

Há 3 tipos de calcário que se diferem pelos seus teores de carbonato de magnésio.

1. Calcário calcítico

Maior teor de óxido de cálcio, entre 45% e 55% e baixa concentração de óxido de magnésio, de 0% a 10%, muito recomendado para solos com baixa concentração de cálcio.

2. Calcário magnesiano

Calcário intermediário, com teor de óxido de magnésio entre 10% e 25% e teor de óxido de cálcio entre 40% e 42%.

É indicado de ser utilizado como balanceador, ou seja, manter essas quantidades de elementos em níveis adequados.

3. Calcário dolomítico

O calcário dolomítico é indicado para solos que possuem teor de magnésio abaixo do recomendado, visto sua concentração de magnésio acima de 25%, como também ao teor de óxido de cálcio, que varia de 25% a 35%, presentes nesse tipo de calcário.

Calcário Filler

A diferença do calcário filler para o citados anteriormente está na sua granulometria, muito mais fina que os outros.

Isso significa que a reatividade deste calcário será bem mais alta, ou seja, sua velocidade de reação no solo, sendo muito indicado para o plantio direto.

Cal Virgem

O cal virgem tem ação imediata e gera calor, podendo ser prejudicial às sementes, microrganismos e plântulas.

Assim, deve ser utilizado antecipadamente ao plantio.

Cal Hidratada ou extinta

Basicamente, é a cal virgem hidratada, porém, sua ação também é imediata.

Pela sua granulatura fina, deve ser evitada a aplicação em dias de ventanias.

Calcário Calcinado

Como o nome sugere, trata-se da calcinação total ou parcial do calcário.

Apresenta características intermediárias ao calcário e a cal virgem, como também tem como característica ser um pó fino.

Escória Básica de Siderurgia

É enquadrado como um subproduto da indústria de ferro e do aço, com uma composição predominante de silício, alto teores de cálcio e magnésio.

Tem um preço menor em regiões próximas ao seu local de produção.

Carbonato de cálcio

Sua composição é feita da moagem de carbonato de cálcio, corais e sambaquis e tem uma ação de neutralização da acidez muito próxima à do calcário.

Prepare o terreno para boas colheitas

Embora essa seja uma frase metafórica, podemos adotá-la de forma literal quando falamos de calagem do solo.

Esse cuidado com a terra de plantio será fundamental para um crescimento mais proeminente e saudável de suas plantações.

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